"[...]
Esta noção de “nebulosa Piaf” é, na verdade, ainda mais complexa do que parece, com múltiplas conexões ligadas entre si por um simples fenômeno de reação em cadeia perfeitamente comparável à teoria dos dominós. Por exemplo, o caso de Gilbert Bécaud é, deste ponto de vista, bastante significativo.
De 1950 a 1952, ele foi o pianista de Jacques Pills (com quem Édith Piaf casará em setembro de 1952). Naquele ano, a cantora coloca em seu repertório algumas canções cujas músicas são de Gilbert Bécaud e as letras são escritas por ela mesma, Jacques Pills ou Jacques Plante. Quase ao mesmo tempo, Bécaud encontra Louis Amade, que escreve alguns textos pra ele e o aconselha a cantá-los. Amade será então, por conseqüência, um dos três letristas admirados por Bécaud. Maurice Vidalin jamais trabalhou para Piaf, mas Pierre Delanoë, por outro lado, apresentado por Bécaud, lhe escreverá três canções, cujas duas são com as músicas de Charles Dumont, que se tornará um dos últimos compositores importantes da cantora...
Outras ramificações da “nebulosa”: É na casa de Piaf que Gilbert Bécaud faz amizade com Charles Aznavour, com quem escreverá muitas canções, como “Mé qué mé qué” ou “La Ville”, que serão registradas por cada um deles, mas interpretadas e arranjadas de maneira diferente. É na casa dela ainda, que Bécaud encontra Jean Broussolle, que lhe escreverá as letras “d’Alors” e “raconte” e também, que Charles Aznavour conhecerá Jacques Plante, que se tornará um de seus freqüentes colaboradores (“For me... formidable”, “La Bohème”, “Les Comédiens”, etc). E se Maurice Vidalin, o terceiro grande letrista de Bécaud, nunca teve a oportunidade de ter uma letra cantada por Piaf, assinará, por outro lado, vários textos para Aznavour (“Gosse de Paris”, “Liberté”, “Pourquoi viens-tu si tard?”, etc) que trabalhará também com Jean Constantin (“À t’regarder”) ou Robert Gall (“Il faut savoir”, “La mamma”)...
Poderíamos continuar dessa forma até o infinito, passo a passo, enquanto o ciclo de relações e de colaborações aumentasse em torno de Édith Piaf, ao longo do tempo, como se formam os círculos na água ao redor de um único impacto.
Único...como será Yves Montand, outro intérprete excepcional ao qual Édith Piaf terá dado um “empurrãozinho” decisivo no momento da Libertação. Dentre os grandes autores de uma época que não era egoísta, e que tiveram a chance de escrever para Yves, dois nomes são necessariamente importantes: Jacques Prévert e Francis Lemarque (que também trabalharam para Piaf)[...]"
De 1950 a 1952, ele foi o pianista de Jacques Pills (com quem Édith Piaf casará em setembro de 1952). Naquele ano, a cantora coloca em seu repertório algumas canções cujas músicas são de Gilbert Bécaud e as letras são escritas por ela mesma, Jacques Pills ou Jacques Plante. Quase ao mesmo tempo, Bécaud encontra Louis Amade, que escreve alguns textos pra ele e o aconselha a cantá-los. Amade será então, por conseqüência, um dos três letristas admirados por Bécaud. Maurice Vidalin jamais trabalhou para Piaf, mas Pierre Delanoë, por outro lado, apresentado por Bécaud, lhe escreverá três canções, cujas duas são com as músicas de Charles Dumont, que se tornará um dos últimos compositores importantes da cantora...
Outras ramificações da “nebulosa”: É na casa de Piaf que Gilbert Bécaud faz amizade com Charles Aznavour, com quem escreverá muitas canções, como “Mé qué mé qué” ou “La Ville”, que serão registradas por cada um deles, mas interpretadas e arranjadas de maneira diferente. É na casa dela ainda, que Bécaud encontra Jean Broussolle, que lhe escreverá as letras “d’Alors” e “raconte” e também, que Charles Aznavour conhecerá Jacques Plante, que se tornará um de seus freqüentes colaboradores (“For me... formidable”, “La Bohème”, “Les Comédiens”, etc). E se Maurice Vidalin, o terceiro grande letrista de Bécaud, nunca teve a oportunidade de ter uma letra cantada por Piaf, assinará, por outro lado, vários textos para Aznavour (“Gosse de Paris”, “Liberté”, “Pourquoi viens-tu si tard?”, etc) que trabalhará também com Jean Constantin (“À t’regarder”) ou Robert Gall (“Il faut savoir”, “La mamma”)...
Poderíamos continuar dessa forma até o infinito, passo a passo, enquanto o ciclo de relações e de colaborações aumentasse em torno de Édith Piaf, ao longo do tempo, como se formam os círculos na água ao redor de um único impacto.
Único...como será Yves Montand, outro intérprete excepcional ao qual Édith Piaf terá dado um “empurrãozinho” decisivo no momento da Libertação. Dentre os grandes autores de uma época que não era egoísta, e que tiveram a chance de escrever para Yves, dois nomes são necessariamente importantes: Jacques Prévert e Francis Lemarque (que também trabalharam para Piaf)[...]"
ROBINE, Marc. Il était une fois la chanson française. Paris : Fayard, 2004, p. 75-6.
Tradução deste fragmento : Talita Faraj Faria.
Tradução deste fragmento : Talita Faraj Faria.
Um comentário:
tres bien! regarder ma revision.
a.
Postar um comentário