sexta-feira, 28 de novembro de 2008
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
PELA CANTORA JAMAICANA GRACE JONES-
Assim como a nova estética dada ao poema "Le serpent qui danse" de Charles Baudelaire pela 'leitura' musical feita por Serge Gainsbourg, apresento-lhes uma releitura sonora de "La Vie en Rose" de Édith Piaf, interpretada pela cantora jamaicana Grace Jones na década de setenta:
http://www.youtube.com/watch?v=Us1R2FZe9g8&feature=related
La Vie En Rose
Composição: Édith Piaf
Des yeux qui font baiser les miens,
Un rire qui se perd sur sa bouche,
Voilà le portrait sans retouche
De l'homme auquel j'appartiens
[Refrain]
Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas,
Je vois la vie en rose.
Il me dit des mots d'amour,
Des mots de tous les jours,
Et ça m'fait quelque chose.
Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause.
Moi pour lui dans la vie,
Il me l'a dit, l'a juré
Pour la vie.
Et dès que je l'apercois
Alors je sens en moi
Mon coeur qui bat
Des nuits d'amour à plus finir
Un grand bonheur qui prend sa place
Des ennuis des chagrins s'effacent
Heureux, heureux à en mourir.
[au Refrain]
"La vie en rose é uma canção francesa, que se tornou conhecida mundialmente na voz de Édith Piaf, considerada por muitos a maior cantora francesa de todos os tempos.
A letra foi escrita por Piaf e a melodia por seu parceiro Louis Gugliemi. Sua versão single em discos já vendeu milhões de cópias por todo o mundo, sendo sempre relançada em La vie en rose, que em português significa "a vida em cor-de-rosa", virou a canção assinatura diversos discos da artista, como a favorita do público de Piaf.
Hoje tornada clássica, La vie en rose já foi gravada por dezenas de cantores, inclusive uma versão pop em 1977, na voz da cantora e atriz jamaicana Grace Jones, e depois usado na trilha sonora do filme Prêt-à-porter, que em 1994, quase cinquenta anos depois de sua criação, foi uma das mais tocadas em boates e rádios FM pelo mundo afora." (http://pt.wikipedia.org/wiki/La_Vie_en_Rose)
Eis os links de tais interpretações:
- Édith Piaf -
http://www.youtube.com/watch?v=DUcJWaC-2Co
- Grace Jones -
(Outra apresentação da cantora jamaicana)
http://www.youtube.com/watch?v=V2pQXZTpg3A
[POSTADO POR CECÍLIA BARRIGA]
Jacques Brel
Les viex Amants
Bien sûr nous eûmes des orages
Vingt ans d'amour c'est l'amour fol
Mille fois tu pris ton bagage
Mille fois je pris mon envol
Et chaque meuble se souvient
Dans cette chambre sans berceau
Des éclats des vieilles tempêtes
Plus rien ne ressemblait à rien
Tu avais perdu le goût de l'eau
Et moi celui de la conquête
Mais mon amour
Mon doux mon tendre mon merveilleux amour
De l'aube claire jusqu'à la fin du jour
Je t'aime encore tu sais je t'aime
Moi je sais tous les sortilèges
Tu sais tous mes envoûtements
Tu m'as gardé de piège en piège
Je t'ai perdue de temps en temps
Bien sûr tu pris quelques amants
Il fallait bien passer le temps
Il faut bien que le corps exulte
Finalement finalement
Il nous fallut bien du talent
Pour être vieux sans être adultes
Oh mon amour
Mon doux mon tendre mon merveilleux amour
De l'aube claire jusqu'à la fin du jour
Je t'aime encore tu sais je t'aime
Et plus le temps nous fait cortège
Et plus le temps nous fait tourment
Mais n'est-ce pas le pire piège
Que vivre en paix pour des amants
Bien sûr tu pleures un peux moins tôt
Je me déchire un peu plus tard
Nous protégeons moins nos mystères
On laisse moins faire le hasard
On se méfie du fil de l'eau
Mais c'est toujours la tendre guerre
Oh mon amour
Mon doux mon tendre mon merveilleux amour
De l'aube claire jusqu'à la fin du jour
Je t'aime encore tu sais je t'aime
A Canção dos Velhos Amantes
Claro, brigamos como todo casal
Vinte anos de amor, é um louco amor
Mil vezes você fez as malas
E mil vezes eu sumi
E cada móvel ainda se lembra,
Neste quarto sem berço,
De cada uma de nossas velhas brigas
Nada mais é do jeito que já foi um dia
Você perdeu o gosto pela vida
E eu o de conquistar você
{Refrão}
Mas meu amor
Meu doce, meu meigo e maravilhoso amor
Do raiar do sol até o fim do dia
Não deixei de amar você, te amo
Eu conheço cada sortilégio seu
Você conhece cada um dos meus feitiços
Você me prendeu de armadilha em armadilha
E de vez em quando eu perdi você
Claro, você arranjou alguns amantes
Um caso, uma história passageira
Afinal o corpo precisa sentir prazer
Finalmente, finalmente
Foi preciso muito talento
Para envelhecermos sem sermos adultos
{Refrão}
E quanto mais os dias passam
Mais aumenta o nosso tormento
Mas será que a paz não é a pior armadilha
Para os que se amam?
Claro, você chora um pouco fora de hora
Eu sofro um pouco mais tarde
Não protegemos mais nossos segredos
Não existe mais espaço para o improviso
Desconfiamos de cada segundo que passa
Nessa doce guerra sem fim
{Refrão}
Layane Lorrane
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Tese sobre a canção francesa
http://demeter.univ-lyon2.fr/sdx/theses/notice.xsp?id=lyon2.2008.groccia_m-principal&id_doc=lyon2.2008.groccia_m&isid=lyon2.2008.groccia_m&base=documents&dn=1
sábado, 22 de novembro de 2008
http://www.ufpa.br/gti/simposio.html
LINGUAGEM E CINEMA:
Foco da Câmera Apoiado no Tripé Discurso, Ideologia e Arte.
11 e 12 de dezembro de 2008
Local: Teatro Experimental Waldemar Henrique e Cinema OLYMPIA.
Belém - Pará - Brasil
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Trilha sonora
http://www.mnemocine.com.br/cinema/somtextos/trilha.htm
A trilha sonora
| A TRILHA SONORA NO CINEMA | |||
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Salma Osman
Cinema e arte por Sabine Gorovitz
Para criar vínculos, o cinema aproxima-se das condiçoes de percepção do homem, e essa proximidade irá permitir ao espectador fundar sua fruição em torno da noçao de presença: uma abertura para a causalidade e para o indeterminado. Assim o mundo surge transfigurado e exponenciado. " O cinema é um vulcão", dizia Jean Epstein. Ele é o território do deslumbre, do frisson e do espanto, levando a extremos a represenação da vida humana.
Pela sua magia transfiguradora, ele triunfa dos efeitos do hábito. em que as coisas acabam sendo mal vistas por serem vistas todos os dias. O filme comove ao apresentar uma beleza secreta dos movimentos de cada dia, no qual momentos são escolhidos, enquadrados e encadeados para passar uma imagem do quotidiano sempre densa. Por isso, o cinema oferece uma percepção constantemente renovada, assim como um gesto de abertura para a apreensão da experiência.
Isabella Mejia -05/28366
domingo, 16 de novembro de 2008
A FILOSOFIA EXISTENCIAL EM A QUEDA DE ALBERT CAMUS
Sartre (1905 - 1980), em O Existencialismo é um Humanismo, divide essa corrente fil
osófica em duas escolas:- a cristã, formada por Kierkegaard, Karl Jaspers e Gabriel Marcel;
- a atéia, composta por Heidegger e os existencialistas franceses (dentre os quais, Sartre foi o que mais se destacou).
O existencialismo se posiciona de forma contrária às abordagens teóricas do século XVIII. Neste período, a filosofia nega Deus, porém continua a considerar um conceito universal do humano, ou seja, para os filósofos deste século a essência precede a existência.
Em O Ser e o Nada, Sartre inverte a concepção filosófica anterior, quando avança nas teorias de Heidegger (Ser e Tempo), e propõe que a existência precede a essência. O que significa esta assertiva filosófica? “Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer.” (O Existencialismo é um Humanismo, p. 12).
Sartre dá uma nova conotação à liberdade, mostrando que ela parte da escolha e da iniciativa individual. “[...] Para a realidade-humana, ser é escolher-se: nada lhe vem de fora, ou tampouco de dentro, que ela possa receber ou aceitar. Está inteiramente abandonada, sem qualquer ajuda de nenhuma espécie, à insustentável necessidade de fazer-se ser até o mínimo detalhe.” (O Ser e o Nada, p. 545). Dessa forma, Sartre sugere que o homem está condenado a ser livre, pois diante dessa es
colha, que é estritamente humana, porta consigo grandes responsabilidades.Albert Camus (1913 – 1960) fez parte da geração de Sartre, e foi seu grande amigo pessoal. A sua última produção literária, A Queda, tem uma grande relação com o existencialismo discutido em O Ser e o Nada. De uma forma geral, o romance estabelece uma crítica à mediocridade da sociedade contemporânea. Ele propõe a discussão de um homem inacabado, de um constante refazer-se. A personagem Jean-Baptiste Clamence, ao perceber que tinha um comportamento alienado, que seguia padrões sociais pré-estabelecidos, que se sentia superior, e se sentia feliz com os outros servindo a ele, sofreu uma queda. A queda é o momento no qual a personagem encontra-se no estado de absurdo. Diante dessa condição, Jean-Baptiste começa a refletir sobre si mesmo e a seguir seus próprios valores.
Em vários trechos do romance encontram-se abordagens existencialistas, como no fragmento a seguir: “Não sabia que a liberdade não é uma recompensa, nem uma condecoração que se comemora com champanha. Nem, aliás, um presente, uma caixa de chocolates de dar água na boca. Oh, não, é um encargo, pelo contrário, e uma corrida de fundo bem solitária, bem extenuante. Nada de champanha, nada de amigos que ergam sua taça, olhando-nos com ternura. Sozinhos numa sala sombria, sozinhos no banco dos réus, perante os juízes, e sozinhos para decidir, perante nós mesmos ou perante o julgamento dos outros. No final de toda a liberdade, há uma sentença; eis porque a liberdade é pesada demais.” (A Queda, p. 91).
Com a publicação de O Homem Revoltado, Camus rompe a estreita amizade com Sartre. Este, com a publicação de Questão de Método e Crítica da Razção Dialética, se aproxima ao marxismo. Essa nova fase de Sartre abalou a amizade entre os dois, pois Camus negou os totalitarismos e acusou o marxismo de teoria mecânica e autoritária, propondo a revolta no lugar da revolução.
sábado, 15 de novembro de 2008
O Rei René
- Georges Lourau, que será um dos maiores produtores franceses, propõe a René Clair assinar um contrato para quatro filmes. Durante semanas, René Clair iniciou novas técnicas, testou inovações, com apoio de sons lentos ou sobrepostos (não praticou ainda a mixagem nem a dublagem).
- Sous Le toits de Paris é um filme sonoro que não fala, ou se fala muito pouco. Havia ali o que desviar a atenção dos espectadores, que alguns meses mais tarde, curados da obsessão pela inovação, serão mais capazes de apreciar a sutileza do tratamento do som, o charme melancólico e popular desse romance “faubouriano”. Este filme marca uma data, uma referência, mas ainda é rudimentar, em um cenário frágil, com uma interpretação diferente: se Aimos e Gaston Modot são firmes no papel e se Préjean revela uma voz agradável que vai fazer dele uma das primeiras estrelas do cinema sonoro, os outros são apagados. René passa para uma nova etapa no ano seguinte, apresentando Le Million em abril, e no fim de dezembro, A nous la liberté.
- Clair escreveu a primeira "opereta" cinematográfica, num tom malicioso onde a ironia e a ternura estão sempre prestes a serem zombados. Em A nous la liberté, nem sempre opta pelo "cem por cento falado"
: a música e a canção conservam um papel importante, o modelo “opereta” é freqüente no cenário. O filme é a mais nova insolência da sátira social. René, o menos ideólogo dos cineastas franceses, toca no piano uma balada decididamente anarquista. A influência de Charlie Chaplin está presente, mas o filme permanece original. - Para o quarto e último filme de seu contrato com a Tobis, René retorna às ruas de Paris. Quatorze Juillet não tem uma linha dramática, mas segue por notações sucessivas, justas, engraçadas, comoventes, pitorescas, com uma série de personagens, como um motorista de táxi e uma vendedora de flores (maravilhosa Annabella), cujo idílio se perderá na amargura.
- René Clair faz realmente a junção entre o mudo e o falado. Para impor a coerência desta fase de sua criação, ele dispõe de condições de trabalho excepcionais ao redor de uma equipe não menos excepcional que ele reuniu.
- É verdade que os filmes de Clair parecem às vezes sofrer de anemia. Jacques Prévert, estava certo quando disse maldosamente: “René Clair é o inventor do cinema sem realce”. Clair colocou Georges Perinal (responsável pela imagem) para procurar uma imagem clara, brilhante, inteiramente construída em tons de cinza, ao contrário da luz alemã, derivada do expressionismo e propagada pelos operadores alemães imigrantes, que começaram a impor seus fortes contrastes entre branco puro e preto absoluto. Em seus scripts, René Clair fugia, por descrição e pudor, dos destaques, das paixões descontroladas, dos conflitos extremos.
- Em 1930, Sous le toits de Paris tem como herói um cantor das ruas. Mas, em 1931, A nous la liberté se desenrola em uma usina fonográfica, lembrando que o disco vem revolucionar a difusão da música e da canção.
- René Clair é o primeiro cineasta francês a desenvolver um estilo de expressão pessoal e ilustrar de maneira significativa. Quando Jean Renoir lança seu primeiro filme sonoro, La Chienne (em novembro de 1931), Clair já tinha terminado seu terceiro filme. De 1930 a 1934, René Clair transforma a inovação técnica em instrumento estético.
Fragmentos extraídos de Billard, P. L'âge classique du cinéma français: du cinema parlant à la nouvelle vague. Paris: Flammarion, 1995. Chapitre 1, 61-65.
Talita Faraj Faria.
domingo, 9 de novembro de 2008
La musique de film en France
Pode parecer fictício de fazer que entre no compartimento nacional, as concepções que se formam à música de filme. Às vezes, uma marca na França, outra nos USA mas, a única norma que será encenada antes, é geralmente de outra estética, por exemplo na Alemanha hitleana pode se notar a importância de rever a utilização política na música de filme.
Molière emprestou ao mestre da música M. Jourdain uma opinião bastante positiva sobre a função da música na cidade. Platão mesmo fez muita aproximação curiosa entre a música e a política; ele demonstra um paralelismo da evolução dos modos de músicas e fundamentos de estado. E mesmo conclui abordando sobre a influência que a música pode trazer para um Estado, que se encontra em fase de inovação em matéria musical e não faz parte dos proscritos radicalmente de uma república.
Pode se deduzir que as motivações são os que mais enganam nos domínios de renovação política que demonstra a ideologia mais esclerosada do domínio.
Assim, certas concepções do papel da música de filme, na medida onde uma música é feita para manter gratuitamente seu lugar de abrir a arte querendo prejudicar o caráter universal do cinema.
Na França os raros e grandes escritores franceses como Cocteau, Malraux e Giraudoux ousaram e desejaram expressara pela “ Le Septième art” , a música de filme. E quando isso ocorreu procurou rapidamente dentre todos os mais ilustres compositores.
Entre eles encontra-se Marcel François que escreveu a primeira música de longa metragem para o filme L’Eldorado de Marcel L’Herbier. Desde então o cinema revelou talentos de certos compositores e encontrou dentro desse gênero de música suas autenticas vocações. Um dos seus músicos que merece destaque pode-se citar – Georges Auric (colaborador de Cocteau que tornou um dos maiores músicos de filmes atuais na época). Para o curta metragem, destaca-se Jauber Garré que compôs para Gean Vigo, René Clair e Marcel Carné.
Traduzido por: Jussara Souza
Fonte: HACQUAR, Geoges. La musique et Lê cinéma. Presses Universitaires de France. Paris, 1959.
Jean Vigo
Segundo Gomes (1966), Jean Vigo foi cineastra desde 1926 e dirigiu quatro filmes, começando com o curta-metragem A Propos de Nice (1929-30) , Taris(1932-32), Zéro de Conduite(1932-33) e L'Atalante(1933-34).
No primeiro filme, A propos de Nice, Vigo “exprime seus sentimentos ideológicos, que desejava subversivos, e seu rancor”. O filme é um curto documentário contra Nice “inábio e ingênuo”, ao mesmo instante, porém, revela a “beleza ou a feiúra” por um processo de descoberta e ingenuidade.
Tatis é também um documentário que permitiu a Vigo fazer algumas experiências relacionadas ao movimento do corpo exprimui seu gosto pelo estudo da epiderme humana.
Já no filme Zéro de Conduite é um resumo auto-biográfico dos sete anos em que Jean Vigo viveu no internato impregnado pela anarquia que Vigo admirava na mocidade do pai. O autor ainda revela que para esse filme, problema de produção e a inabilidade de Vigo, deu ao filme um aspecto inacabado, a ação não foi clara, faltou ritmo no conjunto e a interpretação não foi boa. Houve ainda outros defeitos que tecnicamente o resultado deveria ser desastroso, no entanto, fez muito sucesso, pois a obra revelou um estilo inesperado.
Por último, o autor relata que os intérpretes de Vigo, que era apenas vistos como símbolos, transformaram-se em grandes personagens no filme L'Atalante. Diferente do que aconteceu no filme anterior(Zéro de conduite), neste, o assunto foi imposto ao realizador, na verdade Vigo apenas respeitou as linha superficiais dos personagens e também a ação do roteiro original. Mas pode notar que as modificações introduzidas desarticularam completamente a estrutura da história. Esse fato, na verdade, não impediu Vigo de interromper a poética do filme. Como destaca Gomes(1966) “... a obra de Vigo é uma antologia de erros e defeitos, de coisas que um cineastra não pode e não deve fazer. Ao mesmo tempo atinge a plenitude com que sonham as correntes mais autênticas e ambiciosas de toda história da arte cinematográfica.”
Fonte: GOMES, Paulo Emilio S. Jean Vigo. Paz e Terra. São Paulo, 1966.
Jussara Souza
terça-feira, 4 de novembro de 2008
La nouvelle Vague
Alguns desses realizadores pertenceram ou eram ligados ao círculo de críticos da famosa revista “Cahiers du Cinéma”, mas os próprios resultados do seu trabalho dispensam qualquer alegação de interdependência. A nouvelle vague começa há pouco mais de dez anos, com “Le Rideau Cramoisi”, que fez Alexandre Astruc comentado, elogiado e finalmente afamado. Muitos passaram pela excelente escola que é o filme de curta metragem, esse sub-produto da indústria cinematográfica, a que pertence um sem-número de pequenas obras primas, pouco conhecidas, infelizmente, fora do país de origem. Outros provem desse novo celeiro do cinema que é a televisão.
Fonte: História do cinema francês (1895-1959). Cinemateca brasileira. Festival “história do cinema francês” Setembro a Dezembro de 1959- São Paulo.
SADOUL, Georges. História do cinema mundial. I volume. Traduação de Sônia Salles Gomes. Ed. Martins. São Paulo
Maria da Cruz
Resumo do livro: Brassens, de Florence Trédez
Georges Brassens nasceu em 22 de outubro de 1921, na cidade francesa de Sète. Em francês antigo, Brassens significa 'homem de braços sólidos'. A familia, originária de Castelnaudary, imigrou para a cidade portuária de Sète em busca de melhores empregos. A mãe era filha de um jornaleiro italiano. Brassens tinha também uma meia irmã chamada Simone.
Ele odiava a escola, mas sua mãe o obrigava a estudar. Nunca conseguiu boas notas e não se importava muito com isso. Aos quatorze anos, começou a escrever os primeiros poemas. Nesta época, Alphonse Bonafé, seu professor da literatura, o apresentou aos grandes autores: Baudelaire, Verlaine, Rimbaud, Apollinaire. Aos 18 anos, George se envolveu em roubo de uma loja. Ele e seus colegas decidiram se aventurar em roubar objetos para presentear e impressionar as moças. A polícia os prendeu. Foram liberados pelo tribunal, mas a população os condenou mesmo assim. George se viu obrigado a deixar a cidade e ir para Paris morar com uma tia.
Em Paris, na data de 1940, sua tia o obriga a procurar trabalho. Ele o encontra em uma fábrica da Renault. Mas, em tempos de guerra, uma bomba cai sobre a fábrica e o jovem aprendiz fica sem emprego. É então que George decide mergulhar no mundo dos livros e dos grandes autores para aprender a escrever. Ele dizia a si mesmo: 'se tenho a pretensão de escrever canções, é preciso tentar pelo menos as escrever bem'. Entre os autores preferidos: La Fontaine e, sobretudo, Villon. “Eu não pensava que a Villon, para Villon e através de Villon”, dizia.
Em 1942, com a idade de 21 anos, Brassens publica pela primeira vez um livro de poemas entitulado Des coups d'épées dans l'eau. É nessa época que ele conhece Jeanne, uma senhora que será sua primeira fã.
Em 1943, Georges é enviado ao serviço obrigatório na Alemanha. Mas o trabalho na guerra não o satisfaz e ele deserta pouco tempo depois. Foge para Paris, onde reencontra Jeanne que se dispõe a abrigá-lo. Jeanne, apesar de casada e 30 anos mais velha, desenvolverá com George um triângulo amoroso. Em 1944, a guerra termina, mas George vai continuar na casa de Jeanne e seu marido por muitos anos. Logo depois ele lança suas famosas e polêmicas canções, cheias de sensualidade: le Gorille, Hecatombe, La cane de Jeanne. Nasce o estilo de Brassens: linguagem simples, rigorosa e direta, cheia de referências eruditas da literatura e mitologia.
Em 1947, através de um amigo jornalista, ele começa a escrever para a revista anarquista Le Libertaire. Mas, por não se submeter à hierarquia da revista, ela a deixa precocemente.
Entre 1948 e 1951, Georges começa a fazer audições nos cabarés da Rive Gauche que começam a surgir. Em 1951, um amigo florista o apresenta a Jacques Grello, dono de um cabaré onde faz sua primeira apresentação pública. Mas o público não se entusiasma. Outro amigo o apresenta a Patachou, vedete da música francesa na época e dona de um cabaré em Montmartre.
Patachou se encanta pelas músicas de Brassens e o apresenta a Jacques Canetti, diretor da Polydor-Philips, gravadora francesa. Em 1953 ele lança seus grandes sucessos: La Mauvaise Reputation, Hécatombe, Mamam et Papa (avec Patachou), entre outros. Começa também a lotar o Bobino e o Olympia, maiores casas de shows de Paris. Em 1954, publica seu segundo romance, La Tour des Miracles.
Sobre o publico dizia: “é preciso respeitar o público da canção, que nem sempre tem meios de se defender da mediocridade. Existem aqueles, neste público, que não tiveram meios de se instruir. E a estes, é preciso dar-lhes belas coisas”. Sobre suas músicas dizia: 'eu tento fazer música que não se escuta facilmente por aí...'
Gabriel Garcia Márquez o descreve da seguinte maneira: “Nos era quase impossível saber se chorávamos por causa da beleza de suas canções ou pela compaixão que nos inspirava a solidão deste homem feito para um outro mundo e para um outro tempo”.
Apesar de vender 54 milhões de discos em vida e da fortuna que conquistou, se manteve sempre humilde, sem luxos e longe dos holofotes. A música Petit Joueur de Fluteau é que a melhor o descreve.
Em 1956, Brassens aceita atuar no filme Porte de Lilas, de René Clair. Ele também compõe as músicas do filme. Não se sai mal, mas a experiência não o agrada. Prefere continuar compondo. Entre 1957 e 1959, faz turnés na França, na Europa e no norte da África.
Em 1962, faz uma turné no Canadá e lança seu nono álbum. No mesmo ano, sua mãe morre. A partir daí, vai escrever bastante sobre a morte. Em 1966, compra uma casa no 14 arrondissement, onde será vizinho do amigo Jacques Brel. Em 1967, recebe o grande prêmio de poesia da Academia Francesa de Letras. Em 1968, morre Jeanne. Em 1972, lança a música Mourir pour des Idées, que não agradou muito aos jovens revolucionários. Seu refrão dizia: “Morrer pelas idéias é bem bonito, mas por quais?”
Em 1973 faz sua última tourné pela França e Bélgica. Em 1975 recebe o prêmio da cidade de Paris e lança seu último álbum, o décimo segundo. Continua fazendo shows lotados e gravando músicas até sua morte em 29 de outubro de 1981, aos 60 anos. Sofreu a vida inteira de problemas renais e morreu vítima de câncer. Suas músicas foram regravadas por dezenas de cantores e traduzidas em mais de 15 países.
Postado por Sarah Bontempo
Mourir pour des idées
by Georges Brassens
Mourir pour des idées, l'idée est excellente
Moi j'ai failli mourir de ne l'avoir pas eu
Car tous ceux qui l'avaient, multitude accablante
En hurlant à la mort me sont tombés dessus
Ils ont su me convaincre et ma muse insolente
Abjurant ses erreurs, se rallie à leur foi
Avec un soupçon de réserve toutefois
Mourrons pour des idées, d'accord, mais de mort lente,
D'accord, mais de mort lente
Jugeant qu'il n'y a pas péril en la demeure
Allons vers l'autre monde en flânant en chemin
Car, à forcer l'allure, il arrive qu'on meure
Pour des idées n'ayant plus cours le lendemain
Or, s'il est une chose amère, désolante
En rendant l'âme à Dieu c'est bien de constater
Qu'on a fait fausse route, qu'on s'est trompé d'idée
Mourrons pour des idées, d'accord, mais de mort lente
D'accord, mais de mort lente
Les saint jean bouche d'or qui prêchent le martyre
Le plus souvent, d'ailleurs, s'attardent ici-bas
Mourir pour des idées, c'est le cas de le dire
C'est leur raison de vivre, ils ne s'en privent pas
Dans presque tous les camps on en voit qui supplantent
Bientôt Mathusalem dans la longévité
J'en conclus qu'ils doivent se dire, en aparté
"Mourrons pour des idées, d'accord, mais de mort lente
D'accord, mais de mort lente"
Des idées réclamant le fameux sacrifice
Les sectes de tout poil en offrent des séquelles
Et la question se pose aux victimes novices
Mourir pour des idées, c'est bien beau mais lesquelles ?
Et comme toutes sont entre elles ressemblantes
Quand il les voit venir, avec leur gros drapeau
Le sage, en hésitant, tourne autour du tombeau
Mourrons pour des idées, d'accord, mais de mort lente
D'accord, mais de mort lente
Encor s'il suffisait de quelques hécatombes
Pour qu'enfin tout changeât, qu'enfin tout s'arrangeât
Depuis tant de "grands soirs" que tant de têtes tombent
Au paradis sur terre on y serait déjà
Mais l'âge d'or sans cesse est remis aux calendes
Les dieux ont toujours soif, n'en ont jamais assez
Et c'est la mort, la mort toujours recommencée
Mourrons pour des idées, d'accord, mais de mort lente
D'accord, mais de mort lente
O vous, les boutefeux, ô vous les bons apôtres
Mourez donc les premiers, nous vous cédons le pas
Mais de grâce, morbleu! laissez vivre les autres!
La vie est à peu près leur seul luxe ici bas
Car, enfin, la Camarde est assez vigilante
Elle n'a pas besoin qu'on lui tienne la faux
Plus de danse macabre autour des échafauds!
Mourrons pour des idées, d'accord, mais de mort lente
D'accord, mais de mort lente
http://www.deezer.com/track/92737
Le petit joueur de flûteau
by Georges Brassens
Le petit joueur de flûteau
Menait la musique au château
Pour la grâce de ses chansons
Le roi lui offrit un blason
Je ne veux pas être noble
Répondit le croque-note
Avec un blason à la clé
Mon la se mettrait à gonfler
On dirait par tout le pays
Le joueur de flûte a trahi
Et mon pauvre petit clocher
Me semblerait trop bas perché
Je ne plierais plus les genoux
Devant le bon Dieu de chez nous
Il faudrait à ma grande âme
Tous les saints de Notre-Dame
Avec un évêque à la clé
Mon la se mettrait à gonfler
On dirait par tout le pays
Le joueur de flûte a trahi
Et la chambre où j'ai vu la jour
Me serait un triste séjour
Je quitterai mon lit mesquin
Pour une couche à baldaquin
Je changerais ma chaumière
Pour une gentilhommière
Avec un manoir à la clé
Mon la se mettrait à gonfler
On dirait par tout le pays
Le joueur de flûte a trahi
Je serai honteux de mon sang
Des aïeux de qui je descends
On me verrait bouder dessus
La branche dont je suis issu
Je voudrais un magnifique
Arbre généalogique
Avec du sang bleu a la clé
Mon la se mettrait à gonfler
On dirait par tout le pays
Le joueur de flûte a trahi




