Blog criado pelos alunos do Departamento de Teoria Literária e Literaturas da UnB, do curso sobre CINEMA, CANÇÃO E LITERATURA NA FRANÇA, ministrado pelo professor Adalberto Müller, para divulgar textos, imagens e canções.

domingo, 9 de novembro de 2008

Jean Vigo

Segundo Gomes (1966), Jean Vigo foi cineastra desde 1926 e dirigiu quatro filmes, começando com o curta-metragem A Propos de Nice (1929-30) , Taris(1932-32), Zéro de Conduite(1932-33) e L'Atalante(1933-34).

No primeiro filme, A propos de Nice, Vigo “exprime seus sentimentos ideológicos, que desejava subversivos, e seu rancor”. O filme é um curto documentário contra Nice “inábio e ingênuo”, ao mesmo instante, porém, revela a “beleza ou a feiúra” por um processo de descoberta e ingenuidade.

Tatis é também um documentário que permitiu a Vigo fazer algumas experiências relacionadas ao movimento do corpo exprimui seu gosto pelo estudo da epiderme humana.

Já no filme Zéro de Conduite é um resumo auto-biográfico dos sete anos em que Jean Vigo viveu no internato impregnado pela anarquia que Vigo admirava na mocidade do pai. O autor ainda revela que para esse filme, problema de produção e a inabilidade de Vigo, deu ao filme um aspecto inacabado, a ação não foi clara, faltou ritmo no conjunto e a interpretação não foi boa. Houve ainda outros defeitos que tecnicamente o resultado deveria ser desastroso, no entanto, fez muito sucesso, pois a obra revelou um estilo inesperado.

Por último, o autor relata que os intérpretes de Vigo, que era apenas vistos como símbolos, transformaram-se em grandes personagens no filme L'Atalante. Diferente do que aconteceu no filme anterior(Zéro de conduite), neste, o assunto foi imposto ao realizador, na verdade Vigo apenas respeitou as linha superficiais dos personagens e também a ação do roteiro original. Mas pode notar que as modificações introduzidas desarticularam completamente a estrutura da história. Esse fato, na verdade, não impediu Vigo de interromper a poética do filme. Como destaca Gomes(1966) “... a obra de Vigo é uma antologia de erros e defeitos, de coisas que um cineastra não pode e não deve fazer. Ao mesmo tempo atinge a plenitude com que sonham as correntes mais autênticas e ambiciosas de toda história da arte cinematográfica.”

Fonte: GOMES, Paulo Emilio S. Jean Vigo. Paz e Terra. São Paulo, 1966.

Jussara Souza

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