É na primeira metade do século XX que o existencialismo ganha força e se caracteriza como uma nova epistemologia filosófica.
Sartre (1905 - 1980), em O Existencialismo é um Humanismo, divide essa corrente fil
osófica em duas escolas:
- a cristã, formada por Kierkegaard, Karl Jaspers e Gabriel Marcel;
- a atéia, composta por Heidegger e os existencialistas franceses (dentre os quais, Sartre foi o que mais se destacou).
O existencialismo se posiciona de forma contrária às abordagens teóricas do século XVIII. Neste período, a filosofia nega Deus, porém continua a considerar um conceito universal do humano, ou seja, para os filósofos deste século a essência precede a existência.
Em O Ser e o Nada, Sartre inverte a concepção filosófica anterior, quando avança nas teorias de Heidegger (Ser e Tempo), e propõe que a existência precede a essência. O que significa esta assertiva filosófica? “Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer.” (O Existencialismo é um Humanismo, p. 12).
Sartre dá uma nova conotação à liberdade, mostrando que ela parte da escolha e da iniciativa individual. “[...] Para a realidade-humana, ser é escolher-se: nada lhe vem de fora, ou tampouco de dentro, que ela possa receber ou aceitar. Está inteiramente abandonada, sem qualquer ajuda de nenhuma espécie, à insustentável necessidade de fazer-se ser até o mínimo detalhe.” (O Ser e o Nada, p. 545). Dessa forma, Sartre sugere que o homem está condenado a ser livre, pois diante dessa es
colha, que é estritamente humana, porta consigo grandes responsabilidades.
Albert Camus (1913 – 1960) fez parte da geração de Sartre, e foi seu grande amigo pessoal. A sua última produção literária, A Queda, tem uma grande relação com o existencialismo discutido em O Ser e o Nada. De uma forma geral, o romance estabelece uma crítica à mediocridade da sociedade contemporânea. Ele propõe a discussão de um homem inacabado, de um constante refazer-se. A personagem Jean-Baptiste Clamence, ao perceber que tinha um comportamento alienado, que seguia padrões sociais pré-estabelecidos, que se sentia superior, e se sentia feliz com os outros servindo a ele, sofreu uma queda. A queda é o momento no qual a personagem encontra-se no estado de absurdo. Diante dessa condição, Jean-Baptiste começa a refletir sobre si mesmo e a seguir seus próprios valores.
Em vários trechos do romance encontram-se abordagens existencialistas, como no fragmento a seguir: “Não sabia que a liberdade não é uma recompensa, nem uma condecoração que se comemora com champanha. Nem, aliás, um presente, uma caixa de chocolates de dar água na boca. Oh, não, é um encargo, pelo contrário, e uma corrida de fundo bem solitária, bem extenuante. Nada de champanha, nada de amigos que ergam sua taça, olhando-nos com ternura. Sozinhos numa sala sombria, sozinhos no banco dos réus, perante os juízes, e sozinhos para decidir, perante nós mesmos ou perante o julgamento dos outros. No final de toda a liberdade, há uma sentença; eis porque a liberdade é pesada demais.” (A Queda, p. 91).
Com a publicação de O Homem Revoltado, Camus rompe a estreita amizade com Sartre. Este, com a publicação de Questão de Método e Crítica da Razção Dialética, se aproxima ao marxismo. Essa nova fase de Sartre abalou a amizade entre os dois, pois Camus negou os totalitarismos e acusou o marxismo de teoria mecânica e autoritária, propondo a revolta no lugar da revolução.
Sartre (1905 - 1980), em O Existencialismo é um Humanismo, divide essa corrente fil
osófica em duas escolas:- a cristã, formada por Kierkegaard, Karl Jaspers e Gabriel Marcel;
- a atéia, composta por Heidegger e os existencialistas franceses (dentre os quais, Sartre foi o que mais se destacou).
O existencialismo se posiciona de forma contrária às abordagens teóricas do século XVIII. Neste período, a filosofia nega Deus, porém continua a considerar um conceito universal do humano, ou seja, para os filósofos deste século a essência precede a existência.
Em O Ser e o Nada, Sartre inverte a concepção filosófica anterior, quando avança nas teorias de Heidegger (Ser e Tempo), e propõe que a existência precede a essência. O que significa esta assertiva filosófica? “Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer.” (O Existencialismo é um Humanismo, p. 12).
Sartre dá uma nova conotação à liberdade, mostrando que ela parte da escolha e da iniciativa individual. “[...] Para a realidade-humana, ser é escolher-se: nada lhe vem de fora, ou tampouco de dentro, que ela possa receber ou aceitar. Está inteiramente abandonada, sem qualquer ajuda de nenhuma espécie, à insustentável necessidade de fazer-se ser até o mínimo detalhe.” (O Ser e o Nada, p. 545). Dessa forma, Sartre sugere que o homem está condenado a ser livre, pois diante dessa es
colha, que é estritamente humana, porta consigo grandes responsabilidades.Albert Camus (1913 – 1960) fez parte da geração de Sartre, e foi seu grande amigo pessoal. A sua última produção literária, A Queda, tem uma grande relação com o existencialismo discutido em O Ser e o Nada. De uma forma geral, o romance estabelece uma crítica à mediocridade da sociedade contemporânea. Ele propõe a discussão de um homem inacabado, de um constante refazer-se. A personagem Jean-Baptiste Clamence, ao perceber que tinha um comportamento alienado, que seguia padrões sociais pré-estabelecidos, que se sentia superior, e se sentia feliz com os outros servindo a ele, sofreu uma queda. A queda é o momento no qual a personagem encontra-se no estado de absurdo. Diante dessa condição, Jean-Baptiste começa a refletir sobre si mesmo e a seguir seus próprios valores.
Em vários trechos do romance encontram-se abordagens existencialistas, como no fragmento a seguir: “Não sabia que a liberdade não é uma recompensa, nem uma condecoração que se comemora com champanha. Nem, aliás, um presente, uma caixa de chocolates de dar água na boca. Oh, não, é um encargo, pelo contrário, e uma corrida de fundo bem solitária, bem extenuante. Nada de champanha, nada de amigos que ergam sua taça, olhando-nos com ternura. Sozinhos numa sala sombria, sozinhos no banco dos réus, perante os juízes, e sozinhos para decidir, perante nós mesmos ou perante o julgamento dos outros. No final de toda a liberdade, há uma sentença; eis porque a liberdade é pesada demais.” (A Queda, p. 91).
Com a publicação de O Homem Revoltado, Camus rompe a estreita amizade com Sartre. Este, com a publicação de Questão de Método e Crítica da Razção Dialética, se aproxima ao marxismo. Essa nova fase de Sartre abalou a amizade entre os dois, pois Camus negou os totalitarismos e acusou o marxismo de teoria mecânica e autoritária, propondo a revolta no lugar da revolução.
Ludmilla Carvalho
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