Blog criado pelos alunos do Departamento de Teoria Literária e Literaturas da UnB, do curso sobre CINEMA, CANÇÃO E LITERATURA NA FRANÇA, ministrado pelo professor Adalberto Müller, para divulgar textos, imagens e canções.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

CINEMA COMO EFEITO INDIVIDUAL
GOROVITZ, Sabine. Os labirintos da tradução: a legendagem e a construção do imaginário. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2006. (Cinema e estética da recepção - Cinema e sujeito, pág. 30)

CINEMA E SUJEITO
Cem anos atrás já se evidenciava afinidade do cinema aquilo que é próprio ao homem e à sua relação com a natureza. “O cinema apresenta o processo de penetração do homem do mundo e o processo inseparável de penetração do mundo no o homem” (MORIN, 1956, 210). Esse “comércio” é uma assimilação psíquica de conhecimento ou de consciência que se efetiva pelas participações imaginárias na relação do homem com a natureza: a penetração do espírito humano no mundo é inseparável de uma eflorescência criativa. De fato, tudo no homem conserva-se e comunica-se por meio da construção de imagens. “Esse complexo imaginário que ao mesmo tempo assegura e perturba as participações constitui a secreção que nos envolve e nos alimenta” (IB., p.210). A substância imaginária confunde-se com a vida mental e a realidade afetiva fazendo parte integrante e vital do sujeito e contribuindo para sua formação prática. O imaginário constitui uma verdadeira estrutrua de projeções e identificações a partir da qual o homem, ao mesmo tempo em que se mascara, se conhece se constrói. Assim, imaginário e técnica sustentam-se um ao outro, encontrando-se sempre como negativos, mas também como fermentos mútuos nos quais a invenção técnica vem coroar um sonho. Toda grande invenção sucede as aspirações míticas “e sua novidade aparece a tal ponto irreal que nela vemos magia, bruxaria ou loucura” (ib., p.212). Reciprocamente, todo sonho é uma realização irreal que aspira à realização prática. É por isso que todas as utopias sociais antecedem as sociedades futuras.
(...)
Podemos também admitir que o cinema é um comércio afetivo com o mundo, sendo, por essência, indeterminado e aberto, tal como o homem. Logo, todos os potenciais psíquicos, sentimentos, idéia e razão manifestam-se na imagem cinematográfica. Por meio da maquina, os sonhos são projetados e objetivados, fabricados industrialmente e divididos coletivamente.
Postado por: Norma Regina

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