Jean Cocteau mostrou no cinema a sua capacidade de invenção, seu senso plástico e decorativo, a sua poética peculiar que fascina e encanta os outros artistas.
O patrocinador de sua primeira experiência cinematográfica queria que ele realizasse um desenho animado. Mas, verificando que isso exigiria técnica e técnicos de que a França não dispunha então, Cocteau propôs-lhe a realização de um filme “tão livre quanto um desenho animado, escolhendo rostos e lugares que correspondessem à liberdade em que se encontra um desenhista, inventando um mundo que lhi é próprio”. E foi, em 1930, Le sang d’un Poete.
Cocteau não é um surrealista, e o clima de sua obra, que varia entre os temas “maravilhosos” em ambientação realista, a sua concepção pessoal de drama intimista, as obras “históricas” perpassadas de legendas, tem sempre um lirismo particular que contraria frontalmente a estética surrealista ortodoxa.
O cinema foi nas mãos de Jean Cocteau, mais um instrumento fiel da sua poética, que consiste numa sublimação quase rarefeita de sua vivência, de suas experiências emotivas e sensoriais. E de suas concepções plásticas, estilizada em arabescos leves e engenhosos e que guardam, entretanto, uma densa carga expressional. Sua obra cinematográfica conserva no organismo completo do cinema-finança, do cinema-indústrial, um lugar para as mais extremas e individuais experimentações da poesia.
Fonte: História do cinema francês (1895-1959). Cinemateca brasileira.
Maria da Cruz
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