Blog criado pelos alunos do Departamento de Teoria Literária e Literaturas da UnB, do curso sobre CINEMA, CANÇÃO E LITERATURA NA FRANÇA, ministrado pelo professor Adalberto Müller, para divulgar textos, imagens e canções.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O espírito cancioneiro

Esquematicamente, a canção nos primeiros anos do século XX vê-se dividida em duas grandes tendências: de um lado o cabaré, de outro o café-concerto, cada uma com suas características bem marcadas. [...] digamos, para simplificar, que o cabaré é um gênero mais literário, mais intelectual, apoiando-se principalmente em seus autores; ao passo que o caf’-conc’, mais popular, deve seu sucesso à qualidade e à reputação de seus intérpretes , em que alguns são verdadeiras celebridades e adulados com tal. Faz-se necessário, ainda, mencionar a opereta, então em voga, em que alguns autores e compositores encontraram nela uma especialidade lucrativa; mas, embora muito diferentes a partir de um ponto de vista formal, ela está ligada, em muitos aspectos ao caf’ conc’ e servirá como um trampolim para novas carreiras dos futuros astros.
O modelo incontestável de cabaré dessa época é o Gato negro de Émile Goudeau e Rodolphe Salis, criado em dezembro de 1881 em Montmartre, em que o sucesso inspira rapidamente as múltiplas declinações, assim como Mirliton (de Bruant), o Lapin à Gill, o Auberge du clou, o Âne rouge, a Grande Pinte etc.
Cada um destes locais possui seu próprios autores, muitas vezes apoiados por um ou dois compositores, seguidos do ou dos pianistas da casa, pois raros são, no meio dos cantores, os que se revelam capazes de compor, nem de acompanhar a si próprios, como o fará o extraordinário Jules Jouy, que diziam não conhecer mais que dois acordes [...].


Fonte: ROBINE, Marc. Il était une fois la chanson française: des trouvères à nos jours. Fayard, 2004, p. 47-48.


Alessandra L. Lima

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