Por volta de 1907 o cinema entrou em crise. O público deixava as salas afirmando que visto um filme tinha visto todos. Daí alguns produtores se reuniram e começaram a criar ocasiões propícias para tentar estabelecer novos caminhos pra o cinema. Além disso o orgulho Francês, acentuado nos anos que procederam a Guerra 1914/18, não via as imagens plebéias com que a França alimentava as telas do mundo inteiro. Era necessário elevar o cinema ao mesmo nível atingido pelas artes tradicionais. Destas duas preocupações de fazer algo de novo e enobrecer uma arte altamente popular é que provém o film d’art.
L’Assassinat du Duc de Guise é exemplo de film d’art. Em L’Assassinat o jogo dos atores é espantosamente sóbrio se comparando com os filmes da época. O bom gosto das roupagens e os cuidados de reconstituição da cenografia, embora ainda muito influenciada pela concepção cinematográfica teatral coloca-se em contato com uma obra amadurecida e requintada.
O “film d’art” talvez seja o primeiro movimento esteticamente consciente dentro da história do cinema. O público que desejava atingir era antes de tudo o popular. Pois, a lucidez e a validade das posições em cena, começou a indicar a percepção das belezas e o conteúdo documental e sociológico que o film d’ art continha.
A filiação teatral dos filmes produzidas pelo film ‘d art é evidente. Seus atores e diretores eram quase todos da Comédie Française. Esses, por fim, um grande mérito de retirar o cinema do anonimato que se encontrava, trazendo-o para luz e revelando o nome dos intérpretes e dos realizadores. L’ Assanssinat du Duc Guise tinha como roteirista Levedam, da Academia Francesa, Le Bargy, da Comédie, como diretor e intérprete e tinha música composta por Saint Saens.
Fonte: SALLES, Francisco L. de Almeida. Historia do cinema Frances (1895-1959). Cinemateca brasileira. São Paulo, 1959.
Jussara Souza
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