Blog criado pelos alunos do Departamento de Teoria Literária e Literaturas da UnB, do curso sobre CINEMA, CANÇÃO E LITERATURA NA FRANÇA, ministrado pelo professor Adalberto Müller, para divulgar textos, imagens e canções.

sábado, 18 de outubro de 2008

La Musette



Os ‘Auvergnats’ se instalaram em Paris nos 5ème, 11ème e 12ème arrondissements, em maior número entre 1800 e 1900. Praticavam o comércio e se especializaram rapidamente em restauração. Para se distrair, instalaram no findo de cafés localizados principalmente nas ruas: Marie, de Lappe, Saint-Maur, de Charonne, dês Taillandier... Nesses cafés, no início do século XX, dançavam (sobretudo no sábado à noite e no domingo à tarde) ao som da gaita de foles e da ‘grelottière’, uma pulseira cheia de guizos que os músicos colocavam nos tornozelos. O ambiente agradável desses ‘bals musettes’, atraiam um grande número de parisienses e italianos.
No fim do século XIX, os italianos chegaram em massa e se instalaram nos bairros vizinhos. As famílias Carrara, Peguri, Coia, entre outras fizeram ressoar na rua Curial (19 ème arrondissement) os seus acordeões. Os italianos e seus acordeões foram prontamente aceitos pelos tocadores de gaita de foles. Alguns anos mais tarde os italianos tentaram introduzir novas danças nos bailes e encontraram resistência por parte dos auvergmats, mas com a criação do acordeão misto foram responsáveis pela evolução da musica declarando um conflito entre eles. A ruptura foi inevitável. Os italianos começaram a tocar em novos lugares que, apesar de tudo, chamaram de Musette, caracterizados pela presença do acordeão, da bateria e da valsa. O sucesso atrai rapidamente toda Paris, pois os acordeonistas criaram um repertório totalmente novo e chamativo. O acordeão tornou-se o acompanhamento favorito dos cantores. Era o nascimento do verdadeiro gênero Musette.
Presente em toda Paris, os ‘bailes acordeão’, acabaram por ultrapassar as barreiras, se espalhou pelo subúrbio e por toda província, menos em uma pequena região que resistiu aos invasores: a Auvergne. Alguns nomes da época: Antoine Bouscatel, Charles Peguri, Emile Vacher, Martin Cayla.
Durante a Primeira Guerra Mundial os bailes e as casas de espetáculos foram fechadas. Ao fim do conflito a multidão estava sem local para diversão, então vários foram abertos: musettes, ginguettes, dancings, etc. A fim de experimentar o ‘grand frisson’ a burguesia se mistura ao povo nesses lugares obscuros e sórdidos.
O acordeão é introduzido em muitas manifestações musicais e dançantes. Ele se integra às orquestras de tango e jazz, as novidades que se sucederam na França a partir de 1910. No nível instrumental notava-se nas orquestras a presença soberana do acordeão, mas também da bateria, que por seu poder, permitia aos dançarinos acompanhar o ritmo nas salas não-sonorizadas da época. Do lado das cordas, o banjo surge e depois o violão com suas influências ‘Manouches’ e ‘Tziganes’. Nos anos 1940 surge o ‘Swing-musette’, com repertório de valsas que permitiam uma rica improvisação. Pouco a pouco a orquestra ganha corpo: bandolim, clarinete, trompete, saxofone...
Em seu apogeu o acordeão é o símbolo da Musette. Após 1945 a musette torna-se uma música popular por excelência.
Fonte: http://pagesperso-orange.fr/musette.info/FRHM-Histoire.htm

Por Fabiola Libório.

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