Cité Musiques
La Revue de la Cité Musique
No. 58 - septembre à décembre 2008
UM IRLANDËS EM PARIS
O francófilo Neil Hannon, líder da Divine Comedy, rende homenagem à canção francesa através de sua admiração por Serge Gainsbourg.
Eu era jovem, e me encontrava em uma boate medíocre, em alguma parte do norte da Irlanda, no dia de Saint-Valentin. Tocava uma música horrível. Mas no fim da noite, o DJ colocou Je t'aime moi non plus. Eu nunca tinha escutado essa canção e eu perguntei o que era isso. Só mais tarde soube que tratava-se de Gainsbourg. As pessoas na Irlanda conhecem o seu nome, mas elas não sabem o porquê. De fato, pouquíssimos trechos da televisão francesa dos anos 80 foram vistos.
Encontro em vários pedaços desse compositor uma musicalidade clássica européia. O órgão em Je t'aime moi non plus é emprestado de Bach. Ele combina as harmônias clássicas com o estilo pop-rock anglo-americano. Ele tem também um surpreendente senso do ritimo que pode ser notado em seus registros mais antigos como Couleur café. Eu chamaria até mesmo de um ritimo sexy. Seu estilo muda, mas ele guarda sempre esse inacreditável movimento sensual. Em Je t'aime..., você tem a voz atrevida de Jane Birkin. Eu me lembro também de Brigitte Bardot em Bonnie And Clyde. As combinações de ocordes me marcaram. Musicalmente, ele nunca ficou no mesmo lugar. No fim, ele quase fracassou na Jamaica com Sly Dunbar e Robbie Shakespeare...
Uma de minhas canções favoritas é aquela de 1965, cantada por France Gall, Poupée de cire, Poupée de son. Ela concoria ao Eurovision, e eu a descobri em 1992. Foi como se uma janela se abrisse à uma idéia da pop-music. Essa canção é uma das minhas primeiras influências. Ela inspirou minhas canções Something For The Week-End e Tonight We Fly. Eu vi que eu não era obrigado a usar um ritimo forte como rock and roll...
Digo sempre que brilhante escritor de músicas era Gainsbourg, seus jogos com as palavras, é isso que eu verdadeiramente também amo fazer. Eu nunca exito em sacrificar a poesia, ao amor de uma boa rima. Decidir cantar em francês é a coisa mais estúpida que eu vou tentar fazer. Eu adoro os desafios e amo a música francesa. Se eu interpretasse em Paris canções francesas em inglês, isso não teria nenhum sentido para o público. Eu cantarei Gainsbourg, Jacques Brel, Françoise Hardy, Air, e Edith Piaf com certeza. Eu adoro Hymne à l'amour, mas ela é uma canção bem dificil, que contém muitas palavras e requer um esforço de pronunciação...
Propos Recueillis par Stéphane Koechlin
Traduzido por Rebbeka Del Aguila
#déjà vu
Há 11 anos
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