Qual a diferença entre música popular e música clássica, erudita ou séria? Em um artigo publicado em 1941 – baseei-me na versão do livro editado por S. Frith e A. Goodwin, On Record; rock, pop & the written word, Ed. Routledge, 2006 – Theodor Adorno, em parceria com George Simpson, examina a questão. A essa altura, o mundo estava mergulhado na II Grande Guerra, a televisão estava em fase de testes e o rock ainda não arrebatava multidões. O cinema sonoro e o rádio eram os principais veículos do entretenimento de massa.
Adorno considera a padronização um dos aspectos a distinguir os dois tipos de experiência musical. A música popular é de um tipo simples, sem muita complexidade, vinculada a um padrão específico, sem possibilidade de propiciar algo novo a quem a ouve. Já a música dita séria envolve uma complexidade em sua estrutura interna de sorte que cada detalhe somente produz sentido quando relacionado ao todo concreto da peça musical.
Segundo Adorno, a música popular deve atender simultaneamente a duas exigências: uma é a questão do estímulo necessário para prender a atenção do(a) ouvinte; outra, a matéria prima que faz a música parecer ‘natural’ ao(à) ouvinte comum, o que está relacionado ao conjunto de convenções e fórmulas musicais que o(a) ouvinte reconhece como algo que remete à linguagem simples e própria de seu dia-a-dia.
Avançando na discussão, Adorno chama a atenção para um fenômeno correlato da padronização que é a pseudo-individualização, ou seja, a idéia de que a cultura de massa propicia livre escolha em um mercado aberto baseado na própria padronização.
Assim, o fenômeno da música popular requer a subserviência da improvisação à padronização e isso explicaria duas marcas sócio-psicológicas dela: a primeira é o fato de que o detalhe permanece ligado diretamente ao esquema subjacente de modo que o ouvinte sente-se sempre em um campo seguro; a segunda é a função de substituição, quando os aspectos de improvisação impedem que os detalhes sejam considerados como eventos musicais em si, em vez disso, são recebidos apenas como acessórios.
Para Adorno, a música popular torna-se um questionário de livre-escolha. O(A) ouvinte é incentivado(a) psicologicamente a desconsiderar o que lhe desagrada e a conferir o que é do seu gosto. A limitação inerente a essa escolha e a alternativa clara que ela impõe causa padrões de comportamento referentes ao prazer-desprazer, dicotomia essa que acaba com a indiferença. Adorno parte então para discutir uma teoria sobre o(a) ouvinte, mas isso fica para uma próxima conversa.
André Ricardo
Adorno considera a padronização um dos aspectos a distinguir os dois tipos de experiência musical. A música popular é de um tipo simples, sem muita complexidade, vinculada a um padrão específico, sem possibilidade de propiciar algo novo a quem a ouve. Já a música dita séria envolve uma complexidade em sua estrutura interna de sorte que cada detalhe somente produz sentido quando relacionado ao todo concreto da peça musical.
Segundo Adorno, a música popular deve atender simultaneamente a duas exigências: uma é a questão do estímulo necessário para prender a atenção do(a) ouvinte; outra, a matéria prima que faz a música parecer ‘natural’ ao(à) ouvinte comum, o que está relacionado ao conjunto de convenções e fórmulas musicais que o(a) ouvinte reconhece como algo que remete à linguagem simples e própria de seu dia-a-dia.
Avançando na discussão, Adorno chama a atenção para um fenômeno correlato da padronização que é a pseudo-individualização, ou seja, a idéia de que a cultura de massa propicia livre escolha em um mercado aberto baseado na própria padronização.
Assim, o fenômeno da música popular requer a subserviência da improvisação à padronização e isso explicaria duas marcas sócio-psicológicas dela: a primeira é o fato de que o detalhe permanece ligado diretamente ao esquema subjacente de modo que o ouvinte sente-se sempre em um campo seguro; a segunda é a função de substituição, quando os aspectos de improvisação impedem que os detalhes sejam considerados como eventos musicais em si, em vez disso, são recebidos apenas como acessórios.
Para Adorno, a música popular torna-se um questionário de livre-escolha. O(A) ouvinte é incentivado(a) psicologicamente a desconsiderar o que lhe desagrada e a conferir o que é do seu gosto. A limitação inerente a essa escolha e a alternativa clara que ela impõe causa padrões de comportamento referentes ao prazer-desprazer, dicotomia essa que acaba com a indiferença. Adorno parte então para discutir uma teoria sobre o(a) ouvinte, mas isso fica para uma próxima conversa.
André Ricardo
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