Entre fins do século XIX e o período entre guerras, Paris vive uma transformação que atinge diversos setores da vida urbana. Num dos capítulos de seu livro Chanteuse in the City – the realist singer in french film, Kelley Conway trata especificamente do entretenimento popular e discute o surgimento, a evolução, o apogeu e o declínio do café-concert e do music hall e a o surgimento e fortalecimento do cinema.
O café-concert começa a se firmar em meados do séc. XIX, mas é na última década daquele que experimenta uma grande transformação com o surgimento de casas mais espaçosas e luxuosas. A evolução que não se restringe a espaço físico não deixa de ser uma reação à emergência da music hall. Este trouxe consigo uma mudança não só quanto à natureza do espetáculo, mas da própria audiência. Enquanto o café-concert operava à semelhança de um bar, a music hall permitia às pessoas sentarem-se e de onde estavam acompanharem o que ocorria no palco. Outra diferença estava na cobrança de ingressos caros por parte deste último.
Com a music hall, consagra-se a revue – um espetáculo que reunia aspectos de gêneros como o vaudeville e a opereta – que a princípio consiste de um esquete único, tipicamente uma sátira de eventos contemporâneos. Já depois da I Guerra, a revue evolui para algo mais espetacular e extravagante. No rastro dessa evolução, a opção não só pelo visual como por influências musicais exóticas, o jazz será uma das escolhas do gênero. Sem se dar por vencido, o café-concert já nos primeiros anos do século XX incorpora a seu modo a revue.
Klein especula se o caráter estrangeiro do jazz, aliado a uma presença de uma audiência cada vez mais internacional – é o tempo da Guerra com a presença de muitos soldados aliados de passagem por Paris – não teriam levado a uma certa diluição do caráter francês da music hall.
Entre os críticos, as reações à music hall foram bem variadas. Mas de fato, ela suplanta o café-concert distanciando-se deste como forma de entretenimento popular. Curiosamente, logo após a I Guerra, nota-se uma estratégia – que chegou a funcionar por um período – de se retornar ao repertório e performances artísticas que marcaram o café-concert. A mesma estratégia vai-se notar nos anos 30, quando o cinema já sonoro vale-se do apelo à nostalgia e a uma comunidade perdida empregando para isso a cantora realista. O crítico Jean-Claude Klein observa que essa emergência da nostalgia pode ser explicada por diversos fatores entre os quais as mudanças de ordem política, econômica e também tecnológica.
O café-concert começa a se firmar em meados do séc. XIX, mas é na última década daquele que experimenta uma grande transformação com o surgimento de casas mais espaçosas e luxuosas. A evolução que não se restringe a espaço físico não deixa de ser uma reação à emergência da music hall. Este trouxe consigo uma mudança não só quanto à natureza do espetáculo, mas da própria audiência. Enquanto o café-concert operava à semelhança de um bar, a music hall permitia às pessoas sentarem-se e de onde estavam acompanharem o que ocorria no palco. Outra diferença estava na cobrança de ingressos caros por parte deste último.
Com a music hall, consagra-se a revue – um espetáculo que reunia aspectos de gêneros como o vaudeville e a opereta – que a princípio consiste de um esquete único, tipicamente uma sátira de eventos contemporâneos. Já depois da I Guerra, a revue evolui para algo mais espetacular e extravagante. No rastro dessa evolução, a opção não só pelo visual como por influências musicais exóticas, o jazz será uma das escolhas do gênero. Sem se dar por vencido, o café-concert já nos primeiros anos do século XX incorpora a seu modo a revue.
Klein especula se o caráter estrangeiro do jazz, aliado a uma presença de uma audiência cada vez mais internacional – é o tempo da Guerra com a presença de muitos soldados aliados de passagem por Paris – não teriam levado a uma certa diluição do caráter francês da music hall.
Entre os críticos, as reações à music hall foram bem variadas. Mas de fato, ela suplanta o café-concert distanciando-se deste como forma de entretenimento popular. Curiosamente, logo após a I Guerra, nota-se uma estratégia – que chegou a funcionar por um período – de se retornar ao repertório e performances artísticas que marcaram o café-concert. A mesma estratégia vai-se notar nos anos 30, quando o cinema já sonoro vale-se do apelo à nostalgia e a uma comunidade perdida empregando para isso a cantora realista. O crítico Jean-Claude Klein observa que essa emergência da nostalgia pode ser explicada por diversos fatores entre os quais as mudanças de ordem política, econômica e também tecnológica.
Num momento de grande efervescência – em que intervêm movimentos e fenômenos como a indústria de massa, o entretenimento popular, os apelos do comunismo, fascismo e sindicalismo, o feminismo, a psicanálise, a liberação sexual entre outros – não é à toa que o público volte-se para artistas que evoquem uma comunidade imaginária com apelos de pertencimento geográfico e identidade de classe.
André Ricardo
Um comentário:
muito bom, gostaria de ver mais coisas da K. Conway.
a.
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