Blog criado pelos alunos do Departamento de Teoria Literária e Literaturas da UnB, do curso sobre CINEMA, CANÇÃO E LITERATURA NA FRANÇA, ministrado pelo professor Adalberto Müller, para divulgar textos, imagens e canções.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Mais Gainsbourg

Toda uma História

Melody Nelson é o fruto da colaboração entre Serge Gainsbourg e Jean-Claude Vannier. Uma longa hitória que fez nascer composições e arranjos que se tornaram eternos.

Muitos consideram a História de Melody Nelson como o carro chefe da obra de Serge Gainsbourg. Escrita em 1971, esse primeiro concept-album francês - obra de narração coerente - é o pico da colaboração do cantor com sua fada francesa, Jane Birkin.
A história começa e acaba por um acidente. O primeiro é um choque entre o Rolls-Royce de um poeta e uma jovem mulher em uma bicicleta, Melody Nelson. O narrador pega a fantástica Lolita em seus braços e se desespera "aimable petite conne dont les jours étaient comptés, quatorze automnes et quinze étés...". "Ah Melody, tu m'en auras fait faire des conneries...". O segundo é terrível: Melody morre na queda de seu avião, vitima do piloto automático.
Entre música planante, misteriosa, e história murmurada, a história penetra de forma insidiosa em nossas orelhas. Ode à musa adolescente, a obra deve uma grande parte de seu sucesso ao arranjador Jean-Claude Vannier, fiel companheiro de Gainsbourg. Ele compôs um tecido sinfônico mergulhado em elegância, mistura de um ambiente chique e trágico. Entretanto, esse brilhante álbum, bastante conciso (vinte e oito minutos), não teve nenhum sucesso no seu lançamento. Ele fez o seu caminho lentamente para o altar de adoração.
Fora os Franceses, seus intérpretes surpresas foram os Anglo-Saxões enamorados de Gainsbourg e de Birkin, depois do sexy Je t'aime moi non plus, uma canção muito popular para eles. Em 2002, o Américain Beck samplou os sons tortuosos da guitarra da Ballade de Melody Nelson em seu álbum Sea Change (Paper Tiger). E o genial trio britânico Portishead também desenhou parte de seu trip-hop élégiaque.
Trinta e sete anos depois, à frente da Osquestra Lamoureux, Vannier, o guardião do tempo como dizemos, desempenha no palco a bela cena de cinema Melody. Uma maneira de mostrar que esta música, triste e elegante, não é velha. Normal, ela era visionária.

Stéphane Koechlin

Traduzido por Rebbeka Del Aguila

Nenhum comentário: