I. O ser acusmático
- A diferença entre a audição e a visão: a visão é parcial, direcional. A audição é omnidirecional (flui em várias direções). Hoje, o som exerce um papel mais importante no filme do que a imagem.
- Pierre Schaeffer desenvolveu a música acusmática, ou seja, os sons do dia-a-dia. Som acusmático é tudo aquilo que se ouve sem que se veja a fonte do sonora.
- O Ser acusmático (L’Acusmêtre) pode ser encontrado no cinema desde 1932. A primeira aparição foi em “O testamento do Dr. Mabuse” de Fritz Lang.
- O filme Pânico (Scream), produzido em 1996 por Wes Craven, se baseou no princípio acusmático segundo o qual não se identifica o personagem, mas apenas a sua voz.
- Para se chegar a desvelar um personagem acusmático, é preciso desacusmatizá-lo.
Hitchcok tanto em Intriga Internacional quanto em Psicose usa o ser acusmático. Em Psicose, esse ser seria a mãe de Normam Bates, que só aparece no filme através de sua voz ecoando da janela da casa vizinha. - Também em 007 contra a Chantagem Atômica temos um exemplo de ser acusmático no Spectro 1, personagem que só é filmado do quadril para baixo.
- Stanley Kubrick em 2001: uma odisséia no espaço também utiliza o ser acusmático, representado pelo computador HAL. Neste filme temos também a oposição entre som e silêncio. O silêncio é o espaço (reprodução real, pois como não há gases no espaço, não há som). O som é utilizado para causar medo. Esse seria um realismo sonoro. Em Guerra nas Estrelas, por exemplo, isso não acontece. Mesmo quando as cenas são no espaço, há sempre som.
- Os seres acusmáticos são, portanto, seres não humanos, onipotentes e que possuem voz neutra, sem emoções.
II. Som ambiente X Som direto - Os Incompreendidos (1959) foi o primeiro longa de Truffaut. Esse filme lançou as bases da Nouvelle Vague, considerado cinema da liberdade, feito nas ruas, sem estúdio, câmera na mão e com improvisação de atores.
- 90% do som dos filmes da Nouvelle Vague eram pos-sincronizados, ou colocados depois, na montagem.
- Em Os Incompreendidos a montagem do som é bastante cuidadosa e imbuída de significado. Na cena da psicóloga, o diálogo é autobiográfico e o autor insere um som ambiente que dialoga com o que está sendo dito na sala entre aluno e psicóloga. São sons da infância de Truffaut, que poderiam ser também de qualquer francês da época.
- Jacques Tati é outro autor que se preocupa muito com o som. Ele produz tudo sozinho em seus filmes. Todos os sons são meticulosamente feitos por ele. Desde as pisadas dos personagens aos sons de pássaros noturnos. Em Mon Oncle e em Traffic percebe-se que, para o autor, o som é mais importante que os diálogos. Dessa forma, ele cria um jogo com o espectador que encontra dificuldade em descobrir a fonte do som.
Os Incompreendidos (cena da psicóloga):
O testamento do Dr. Mabuse:
2001: uma odisséia no epaço (morte do computador HAL):
Por Sarah Bontempo
Um comentário:
bien!
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