Blog criado pelos alunos do Departamento de Teoria Literária e Literaturas da UnB, do curso sobre CINEMA, CANÇÃO E LITERATURA NA FRANÇA, ministrado pelo professor Adalberto Müller, para divulgar textos, imagens e canções.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Vozes do passado: Fréhel

"Tendo trabalhado em papéis anteriores sozinha, Fréhel está em casa em Pépé le Moko, um filme sobre desespero, desejo impossível, as manipulações implacáveis do destino e uma saudade da sociedade nos 'bons velhos tempos' de Paris. Ambos Fréhel e Gabin, de fato, sombolizavam uma Paris que estava desaparecendo nessa época. Não apenas Fréhel 'perdeu' Paris durante o seu auto-imposto exílio no leste europeu na sua juventude, como seus papéis nos filmes mostram a decadência de Paris (Coeur de Lilas, La Rue sans nom), seu exílio de Paris (Amok, La Maison du Maltais), e o 'passado' em geral (Le Roman d'un tricheur). Pépé le Moko demonstra uma forte afeição pela Paris que está distante. O filme se passa na Argélia, mas Paris aparece constantemente nas memórias e fantasias dos parisianos deslocados, que estão armadilhados lá. Uma conversa entre Pépé e seu objeto de adoração, Gaby - um dos melhores diálogos escritos por Henri Jeanson - demonstra essa saudade de uma ótima maneira. (...)
(...) Fréhel aparece no filme como Tania, a companheira do membro mais violento da gangue de Pépé, ela é caracterizada como uma mulher abusada fisicamente. A primeira vez que nós a vemos, ela está com olhos lacrimejando. Ela explica que Carlo bate nela, como todos os homens que ela conheceu, incluindo um chanteur de charme que uma vez ela conheceu. Aqui, duas identidades emergem: a familiar característica da mulher nas canções realistas, que apanha, ainda fiel ao seu homem, e a identidade de Fréhel, a cantora, que amou e perdeu outro cantor (Maurice Chevalier). Essa união da história de Fréhel e a característica da canção realista intensifica quando ela canta para o Pépé um pouco depois no filme."
CONWAY, Kelley. Chanteuse in the City: the Realist Singer in French Film. London: University of California Press, 2004, pags. 97 e 98.
Tradução livre de Marília Machado Garcia de Lima

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