Paralelamente à fama dos cabarés e dos “chansonniers”, os primeiros anos do século XX são os da idade de ouro do caf’ conc’, lugar de divertimento popular onde nos rendemos prazerosamente em família [...]. É a “Bela Época”, durante a qual a fantasia mais desenfreada lidera a diversão, para exorcizar o espectro daquela guerra que cada um, no final, conhece inevitavelmente.
Artisticamente falando, o universo do caf’conc’ é muito codificado. Além dos eternos números de dançarinas levemente vestidas e pouco tímidas, o gênero se articula em torno de uma espécie de programa modelo, que encontramos de uma sala à outra, com algumas semelhanças [...].
Com algumas exceções (Fragson, Georgius, Ouvrard, Botrel, Boucot, etc.), a grande maioria dos artistas eram apenas intérpretes; o caf’conc’ vivia mais sob o renome dos seus cantores do que dos seus autores e compositores...aos quais as estrelas mais prestigiadas deviam, no entanto, uma boa parte de seus sucessos. Autores bastante polivalentes, geralmente, para se dobrar aos estilos dos diferentes artistas e se saírem bem nos gêneros tão distantes como a banalidade, o romance, o melodrama, a fantasia ou ainda a opereta, guardam tudo em suas próprias grifes, como uma marca de fábrica.
Entre os melhores e mais produtivos deles, mencionamos Ferdinand Bénech e Ernest Dumont, que vamos apelidar de “os Balzac da música” e cujos alguns títulos são clássicos que escaparam da usura do tempo (Du gris,L’Hirondelle du faubourg, Riquita, Nuits de Chine...). E em seguida, Henri Christiné (À la Martinique, La petit Tonkinoise), Lucien Boyer (Monte là-dessus, Pour me rendre à mon bureau, Valencia), Louis Bousquet (Avec Bidasse), Félix Montreuil (Cette petit femme là, Gaby, Tu sens la menthe), Paul Briollet (Le Trou de mon quai), Léo Lelièvre (La Matchiche), Armand Foucher (Les Petites Mains, Le rêve passe), Albert Willemetz (Valentine, Elle porte un nom charmant, Dans la vie faut pas s’en faire, Mon homme, Phi-Phi), Jean Rodor (Sous les ponts de Paris), Xanrof (L’Hôtel du n° 3, Le Fiacre), Charles-Louis Pothier (On n’a pas tous les jours vingt ans), Maurice Vaucaire (Les Petits Pavés), Géo Koger (Je n’suis pas bien portant, Tango d’adieu), Jean Bertet (Elle vendait des p’tits gâteaux), e vários outros, famosos algumas vezes só por uma única canção[...].
ROBINE, Marc. Il était une fois la chanson française. Paris: Fayard, 2004, p. 55-57.
Fragmento traduzido por Talita Faraj Faria.
Artisticamente falando, o universo do caf’conc’ é muito codificado. Além dos eternos números de dançarinas levemente vestidas e pouco tímidas, o gênero se articula em torno de uma espécie de programa modelo, que encontramos de uma sala à outra, com algumas semelhanças [...].
Com algumas exceções (Fragson, Georgius, Ouvrard, Botrel, Boucot, etc.), a grande maioria dos artistas eram apenas intérpretes; o caf’conc’ vivia mais sob o renome dos seus cantores do que dos seus autores e compositores...aos quais as estrelas mais prestigiadas deviam, no entanto, uma boa parte de seus sucessos. Autores bastante polivalentes, geralmente, para se dobrar aos estilos dos diferentes artistas e se saírem bem nos gêneros tão distantes como a banalidade, o romance, o melodrama, a fantasia ou ainda a opereta, guardam tudo em suas próprias grifes, como uma marca de fábrica.
Entre os melhores e mais produtivos deles, mencionamos Ferdinand Bénech e Ernest Dumont, que vamos apelidar de “os Balzac da música” e cujos alguns títulos são clássicos que escaparam da usura do tempo (Du gris,L’Hirondelle du faubourg, Riquita, Nuits de Chine...). E em seguida, Henri Christiné (À la Martinique, La petit Tonkinoise), Lucien Boyer (Monte là-dessus, Pour me rendre à mon bureau, Valencia), Louis Bousquet (Avec Bidasse), Félix Montreuil (Cette petit femme là, Gaby, Tu sens la menthe), Paul Briollet (Le Trou de mon quai), Léo Lelièvre (La Matchiche), Armand Foucher (Les Petites Mains, Le rêve passe), Albert Willemetz (Valentine, Elle porte un nom charmant, Dans la vie faut pas s’en faire, Mon homme, Phi-Phi), Jean Rodor (Sous les ponts de Paris), Xanrof (L’Hôtel du n° 3, Le Fiacre), Charles-Louis Pothier (On n’a pas tous les jours vingt ans), Maurice Vaucaire (Les Petits Pavés), Géo Koger (Je n’suis pas bien portant, Tango d’adieu), Jean Bertet (Elle vendait des p’tits gâteaux), e vários outros, famosos algumas vezes só por uma única canção[...].
ROBINE, Marc. Il était une fois la chanson française. Paris: Fayard, 2004, p. 55-57.
Fragmento traduzido por Talita Faraj Faria.
Um comentário:
tres bien!
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